O fracasso faz bem às crianças

Na sessão Entrevista, da revista Veja, de 5 agosto, a ex-reitora Julie Lythcott-Haims, da Universidade Standford concedeu uma entrevista falando sobre os danos causados pela superproteção, ou expressão em inglês, overparenting, na formação de adultos incapazes de tomar decisões e de se adequar ao mercado de trabalho.

Os pais excessivamente cuidadosos nasceram no período pós-guerra e foram influenciados pela contracultura dos anos 60 e 70. Adotaram para seus filhos políticas de menos rigor e mais amor; menos cobranças e mais proteção. E possuem três pecados principais:

  •  Superproteção: acreditam que qualquer coisa pode ferir seus filhos;
  •  Superdirecionamento: moldam os caminhos que seus filhos devem trilhar;
  •  Superajuda: tomam partido de seus filhos contra quem quer que seja.

Resultado disso, são adultos com pouca confiança em si, que não conseguem enxergar a relação entre esforço e resultado.

Os ‘adultos-crianças’ têm pouca confiança em si mesmos e não conseguem refletir sobre as questões cotidianas. ‘Sou incapaz de fazer isso sozinho’, pensam. Afinal, durante toda a vida alguém sempre fez tudo por eles”

 

Esses ‘adultos-crianças’ possuem dificuldades no mercado de trabalho porque não conseguem integrar o grupo. “Espera-se que ele seja útil” - diz a Doutora, mas seus pais, os impediram de se desenvolver. A capacidade de planejar o próximo passo foi extirpada pelo gerenciamento de sua vida pelos pais.

Eu me pergunto: por que tantos adultos dessa geração vão para a ‘terra das startups’ e para o mundo da tecnologia? Porque o local de trabalho foi adaptado para ser uma extensão da casa da infância deles.”

 

Empresas startups, aquelas que exploram atividades inovadoras no mercado, oferecem aos seus empregados mimos e todo um ambiente voltado para satisfazer suas necessidades. Mas, e se, esses “adultos-crianças” precisarem trabalhar em outros locais?

Os pais devem criar seus filhos para que eles sejam capazes de se cuidar, assim, não cairão na armadilha de confundir amor com excesso de cuidados. Julie, destaca que, ser um adulto no século XXI, significa ter as habilidades necessárias para manter-se empregado, ser capaz de trabalhar duro e em equipe, ganhar um salário, pagar suas contas, ser gentil com os demais, descobrir como ir de um lugar a outro, cozinhar...E tudo isso sem ter de, a toda hora, perguntar à mamãe ou papai como se faz.

 

“O que todos os pais que protegem os filhos em excesso têm em comum é o medo do fracasso. Eles temem que um fracasso arruíne a vida de seus filhos. E eles estão errados. O fracasso é talvez o melhor professor da vida”

 

Julie ressalta que “não há dúvidas de que os pais devem dar tanto amor quanto puderem”, mas dar aos filhos oportunidades para desenvolverem sua independência, os tornará orgulhosos de suas capacidades. O papel dos pais é fortalecer seu caráter, sua determinação, seu senso de ‘eu me machuquei, mas estou bem”. Machucar-se é o único modo de se tornar resistente e capaz de lidar com as questões do mundo adulto.

Legenda: Julie Lythcott-Haims

 

                                                                                              Adaptado por Amanda Cordeiro


Bibliografia/Fonte:
Revista Veja,edição , 05/08/2015
Visitas: 2262