Fim de Ano

Em novembro de 2015, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) incorporou às suas normas éticas a proibição das ações de merchandising dirigidas ao público infantil em programas criados ou produzidos especificamente para crianças em qualquer veículo.

Merchadising é um tipo de anúncio publicitário em que uma marca, produto ou serviço é inserido em programas de televisão, rádio, espetáculo teatral ou filme; sem as características explícitas de anúncio publicitário.

Segundo o CONAR, a nova redação reconhece a necessidade de ampliar a proteção a públicos vulneráveis e representa um aperfeiçoamento das normas anteriores.

E reforça: “Privar crianças e adolescentes do acesso à publicidade é debilitá-las, pois cidadãos responsáveis e consumidores conscientes dependem de informação”, disse, em nota, o presidente do conselho, Gilberto Leifert.

Segundo ativistas do movimento Infância Livre de Consumismo, “as crianças não têm desenvolvimento psicológico suficiente para identificar estratégias de persuasão utilizadas nas peças publicitárias e facilmente confundem o cenário e os resultados produzidos com a realidade.”

Já o filósofo e escritor, com Mestrado e Doutorado em Educação, Mário Cortella, pondera: “(...) também acho que a publicidade infantil não tem todo esse peso na “consumolatria”. A criança pode aprender a fazer seus brinquedos, a elaborar presentes para dar aos amigos, aos pais. Tudo isso precisa ser ensinado a ela para que tenha possibilidade de escolha. Não é só a publicidade, não é qualquer publicidade que causa esses desvios. O que precisamos é rever de que forma estamos nos formando, de que maneira formamos nossos filhos e netos.”

E, desse debate, cabe aos pais e responsáveis a oportunidade de conversar em família sobre as questões, implicações e os limites que envolvem o consumo nas festas de fim de ano.

Destacamos 6 iniciativas propostas pelo Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, para tornar o consumo nas festas de fim de ano mais consciente:

1. Dê o exemplo

Educar para o consumo consciente é dar o exemplo. De nada adianta ensinar às crianças que não se deve consumir por impulso e estourar o orçamento familiar no shopping. É preciso ser coerente para que as crianças aprendam como consumir com mais atenção e responsabilidade.

2. Diminua a exposição das crianças à publicidade

Diminuir o tempo gasto em frente à TV ou na internet é importante para reduzir o assédio mercadológico às crianças, pois esses meios de comunicação estão repletos de publicidades que incentivam o consumismo infantil.  As crianças, em especial as muito pequenas, em virtude de seu estágio especial de desenvolvimento, não entendem a influência dessas comunicações mercadológicas, que vendem a falsa ideia de que é necessário ter determinado produto ou usufruir determinado serviço para que se possa participar de um grupo de amigos ou alcançar a felicidade.

3. Faça combinados

Combinar com as crianças como será o passeio e qual o objetivo antes de sair de casa para idas ao supermercado, aos shoppings ou ruas de comércio pode ajudar muito a reduzir os pedidos por impulso. Se a ida ao shopping é para comprar o presente da vovó é importante que isso seja dito para a criança com antecedência. Na ida ao supermercado combinar que ela poderá escolher um ou dois itens para comprar antes de chegar lá ajuda a criança a aprender como consumir de forma mais consciente.

4. Evite unir lazer a consumo

Nas semanas que antecedem as festas, as crianças normalmente já estão em período de férias. Muitos familiares, preocupados com o que fazer para as entreter, levam-nas ao shopping para passear. Isso, porém, pode se revelar uma prática prejudicial à medida que expõem as crianças a um ambiente que incita o estímulo ao desejo de comprar – ainda mais nesta época do ano. Prefira, então, programar passeios ao ar livre, como parques, jardins, praia, nos quais as crianças possam brincar.

5. Cuidados com as longas listas de presentes

Para o público infantil, Natal é sinônimo de longas listas de presentes. Diga às crianças para escolher um item da lista que elas considerem o mais bacana, em vez de alimentar a expectativa de que vá ganhar todos. Os pais, mães e responsáveis podem também incentivar os filhos a doar brinquedos não usados para instituições que atendam crianças. É importante que, desde cedo, sejam ensinadas a não associar datas comemorativas com momentos tão somente para consumir e ganhar presentes.

6. Saiba que dizer “não” é importante

Diante da insistência das crianças, é importante que mães, pais, responsáveis e familiares em geral, saibam que dizer “não” faz parte do processo educativo e pode ajudar as crianças a lidarem com frustrações futuras. 

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